Como entrar na Polícia Militar: concurso, treinamento, carreira e salários

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Entrar na Polícia Militar (PM) é um projeto grande: envolve preparação para concurso, condicionamento físico, aprovação em avaliações médicas e psicológicas, investigação social e, depois, um período intenso de formação com disciplina militar.

A recompensa é uma carreira estável, com possibilidades de especialização, progressão hierárquica e atuação direta na segurança pública — mas com cobrança alta, rotina exigente e responsabilidade.

O que a Polícia Militar faz na prática

A PM é a força estadual responsável, em linhas gerais, pelo policiamento ostensivo e preservação da ordem pública. Isso inclui patrulhamento a pé, em viaturas e motos, operações em grandes eventos, fiscalização de trânsito (onde a PM exerce essa atribuição), apoio em ocorrências de emergência, atendimento inicial de crimes em andamento e atuação preventiva em áreas de maior risco.

A rotina varia muito por unidade, região e modalidade de policiamento (radiopatrulha, comunitário, tático, rodoviário, ambiental etc.).

Quais são os principais “caminhos” de entrada

Na maioria dos estados, existem dois caminhos mais comuns:

1) Praça (Soldado)
É a porta de entrada mais procurada. Normalmente exige nível médio e aprovações nas etapas do concurso. Após a formação, você começa como Soldado (muitas vezes “Soldado 2ª classe” durante o curso/período inicial, dependendo do estado).

2) Oficial (Aluno-Oficial/Cadete)
Em geral, o concurso para Oficial costuma ser mais disputado, pode exigir nível superior (ou regras específicas por estado) e a formação tende a ser mais longa, com foco em liderança, gestão e comando de tropa.

Cada PM estadual tem regras próprias, então o edital do seu estado manda mais do que qualquer “regra geral”. Ainda assim, há um padrão de etapas e exigências que se repete bastante no Brasil.

Requisitos mais comuns (e por que você deve olhar o edital com lupa)

Os requisitos variam, mas os pontos que mais derrubam candidatos são:

  • Nacionalidade: Brasileira.
  • Idade: Geralmente entre 18 e 30 anos (alguns estados estendem até 32 ou 35).
  • Escolaridade: Nível médio para Soldados e, em muitos estados, nível superior para Oficiais (em Direito ou qualquer área, dependendo do estado).
  • Altura mínima: Frequentemente 1,60m para homens e 1,55m para mulheres.
  • Habilitação: Possuir CNH, no mínimo categoria B.

Dica prática: antes de estudar pesado, confirme se você cumpre os requisitos de inscrição e os de posse, porque alguns editais diferenciam essas duas coisas.

Onde encontrar concursos abertos e informações oficiais

O padrão é:

  • Diário Oficial do estado (publicação do edital e convocações)
  • Site oficial da PM do estado
  • Site da banca organizadora (inscrição, locais de prova, gabaritos, recursos)

Os links de inscrição para os concursos da Polícia Militar não são permanentes; eles mudam a cada novo edital, pois as corporações contratam diferentes bancas examinadoras (como Vunesp, FGV, Cebraspe, IBFC).

Abaixo, estão os portais oficiais de Recrutamento e Seleção de cada estado. É nestes sites que as PMs publicam os editais novos e direcionam o candidato para o link da banca organizadora vigente.

Portais Oficiais por Região

Sudeste

Sul

Distrito Federal e Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Aviso Importante: Sempre verifique se o site termina em .gov.br ou se pertence a uma banca renomada. Nunca pague boletos de inscrição vindos de sites de “notícias de concursos” não oficiais.

Etapas do concurso da PM: o “funil” mais comum

Embora cada estado ajuste detalhes, muitas PMs seguem um conjunto bem parecido de etapas: prova(s) teóricas, aptidão física, saúde, psicológico, investigação social/conduta e, por fim, curso de formação.

A PM de São Paulo descreve esse modelo de forma bem direta, listando as etapas (conhecimentos, aptidão física, saúde, psicológicos, avaliação de conduta, análise documental e, quando aplicável, títulos).

LEIA TAMBÉM:  Grupamento de Policiamento de Intervenção (GPI): A Elite Tática da Polícia Federal Brasileira

Prova objetiva e redação

Geralmente cai um pacote clássico:

  • Língua Portuguesa
  • Matemática/Raciocínio lógico
  • Conhecimentos gerais/atualidades (varia)
  • Noções de informática (às vezes)
  • Direito constitucional, administrativo, penal, processo penal e legislação específica (depende do cargo e do estado)

A redação costuma eliminar muita gente por falta de treino. Não subestime.

Teste de Aptidão Física (TAF)

O TAF é decisivo. Em muitos concursos, ele vem depois da prova escrita, e aí o candidato “bom de teoria” descobre tarde que precisava ter começado a correr meses antes. Exercícios comuns incluem corrida (muitas vezes no modelo de tempo), barra, abdominais e sprints, variando por edital e estado.

Exames de saúde (médico, odontológico e, às vezes, toxicológico)

Não é só “não ter doença”. Envolve visão, audição, condições ortopédicas, exames laboratoriais, histórico clínico e critérios do edital. Coisas simples (como documentação incompleta ou laudos fora do padrão) também eliminam.

Avaliação psicológica

Muita gente tenta tratar como “pegadinha”, mas a lógica é outra: verificar compatibilidade com o serviço policial e com o ambiente militarizado (pressão, tomada de decisão, controle emocional, atenção, impulsividade etc.). Em caso de inaptidão, alguns estados preveem mecanismos de ciência/entrevista devolutiva e regras de recurso conforme edital.

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Investigação social e análise de conduta

Essa etapa costuma avaliar reputação, idoneidade e coerência do histórico do candidato. O que costuma dar problema: omissões, contradições e comportamentos incompatíveis com o cargo. É o tipo de fase em que transparência e documentação organizada fazem diferença.

Como se preparar: estudo + físico + rotina

A melhor estratégia é tratar como um “tripé”:

1) Teoria (prova)
Monte um ciclo com revisão. Faça muitas questões da banca do seu estado.

2) Condicionamento (TAF)
Treine com progressão, orientação e descanso. O erro clássico é exagerar e se lesionar perto do teste.

3) Rotina e disciplina (mental)
Sono, alimentação, consistência e tolerância ao desconforto: a formação vai cobrar isso diariamente.

Se você só faz um desses três bem, a chance de cair em alguma etapa é real.

Curso de formação: o que muda depois que você passa

Passar no concurso não significa “ser PM” imediatamente. Em geral, ainda existe o curso de formação, com rotina militar, regras rígidas, avaliações e adaptação a uma cultura de hierarquia e disciplina.

A duração varia por estado e por carreira. Há formações divulgadas como longas (em especial para Oficiais) e formações de Soldado que podem ficar em torno de meses a 1 ano, a depender do modelo adotado.

Como costuma ser a rotina durante o curso

Você deve esperar:

  • horário cedo e rotina “cronometrada”
  • instruções físicas (corrida, circuitos, treinamento funcional)
  • ordem unida, disciplina, regulamentos, ética e conduta
  • técnicas policiais (abordagem, patrulhamento, rádio, procedimentos operacionais)
  • tiro e manuseio seguro de armamento (com regras rígidas)
  • noções jurídicas e protocolos
  • avaliações frequentes

A fase de formação é onde muitos desistem: não por falta de capacidade, mas por falta de preparo para o ritmo e a cobrança.

Rotina depois de formado: como é o serviço no dia a dia

A rotina real depende da unidade e do tipo de policiamento, mas há padrões:

  • Escala: muitas unidades trabalham em escalas de plantão e folga, com variações conforme estado e comando local.
  • Briefing: alinhamento de área, missão e pontos de atenção do turno.
  • Patrulhamento: rondas, pontos-base, atendimento de ocorrências via rádio/central.
  • Abordagens: procedimentos técnicos e legais, com registro e responsabilidade.
  • Relatórios: parte burocrática existe e cresce conforme a função e a graduação.

Também há momentos de operação (reforço em datas específicas, eventos, ações integradas) que mudam o ritmo e a pressão do trabalho.

Carreira e progressão: dá para crescer? Sim, mas tem regras

Na PM, a progressão tem critérios. O caminho mais comum envolve:

  • tempo de serviço
  • cursos internos (aperfeiçoamento, especialização)
  • mérito, comportamento e avaliações
  • vagas disponíveis e regras de promoção do estado

Com o tempo, surgem oportunidades para atuar em áreas específicas: trânsito/rodoviário, ambiental, tático, cavalaria, operações com cães, inteligência, instrução, administração, logística, comunicação, entre outras.

O “perfil” e o desempenho na corporação influenciam muito para onde a carreira vai.

Média de salários: quanto ganha um policial militar

Salário na PM varia muito por estado, posto/graduação, adicionais (periculosidade, gratificações), horas extras/serviços voluntários, local de lotação e regras internas. Ainda assim, dá para trabalhar com faixas realistas.

Um levantamento em formato de comparativo por estados (com base em referências de editais e estruturas remuneratórias publicadas) mostra iniciais e topos de carreira com variações bem grandes — de estados com início perto de R$ 3–4 mil a outros acima de R$ 6 mil, e topos que podem ultrapassar R$ 10 mil, dependendo da corporação e do cargo.

Há também estudos que tentam estimar médias nacionais, indicando valores médios brutos e líquidos para PM considerando praças e oficiais, com forte dispersão entre unidades federativas.

Cargo Média Salarial Inicial (Estimada)
Soldado R$ 3.500,00 a R$ 6.000,00
2º Tenente (Oficial) R$ 7.000,00 a R$ 10.000,00
Coronel R$ 20.000,00 a R$ 30.000,00

Nota: Estados como o Distrito Federal e Santa Catarina costumam ter as melhores remunerações, enquanto estados do Norte e Nordeste podem apresentar valores menores, compensados às vezes por gratificações.

Se você quer precisão, o caminho certo é: pegar o edital mais recente do seu estado e cruzar com a tabela remuneratória atual (quando disponível no portal oficial do governo estadual).

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Curiosidades que muita gente desconhece

Hierarquia muda a dinâmica do trabalho
A cultura militar é forte: postura, disciplina e obediência a regras importam tanto quanto conhecimento técnico.

A cobrança de conduta continua após a formatura
Vida funcional exige cuidado com comportamento, redes sociais, companhias e situações que virem “dor de cabeça” administrativa.

Treino físico vira hábito para não sofrer
Quem para de treinar costuma sentir a diferença na rotina operacional.

A parte humana pesa
Atendimento a vítimas, conflitos familiares, ocorrências com crianças, crises psicológicas e acidentes fazem parte do dia a dia. Não é “filme”. É realidade.

Erros que eliminam candidatos (mesmo os bons)

  • estudar sem olhar edital e requisitos
  • deixar o TAF para depois da prova
  • ignorar redação
  • apresentar exame/laudo fora do padrão
  • inconsistências na investigação social
  • excesso de confiança no psicológico

O básico bem feito passa na frente.

FAQ – Como entrar na Polícia Militar

Qual é a função da Polícia Militar?

A Polícia Militar atua no policiamento ostensivo e na preservação da ordem pública, com patrulhamento, prevenção ao crime, atendimento de ocorrências e apoio em operações e eventos.

A Polícia Militar é federal ou estadual?

É estadual. Cada estado tem sua própria PM, com regras, salários e concursos definidos em legislação e editais estaduais.

Como entrar na Polícia Militar?

Por concurso público. Após passar por todas as etapas, o candidato faz o curso de formação e, ao concluir, é incorporado à corporação.

Quais são os cargos iniciais na PM?

Os mais comuns são Soldado (praça) e Oficial. Soldado costuma ser a porta de entrada mais procurada; Oficial inicia com foco em liderança e gestão.

Qual é a escolaridade exigida?

Para Soldado, normalmente ensino médio completo. Para Oficial, muitos estados exigem nível superior. O edital do seu estado define.

Existe limite de idade para entrar na PM?

Sim. A idade mínima e máxima varia conforme o estado e o cargo. Confira o edital vigente para os números exatos.

Precisa ter altura mínima?

Na maioria dos estados, sim. O edital informa a altura mínima e se há valores diferentes para homens e mulheres.

Quem tem tatuagem pode entrar na PM?

Depende do estado e das regras do edital. Em geral, são vedadas tatuagens com conteúdo incompatível com a função (apologia a crime, discriminação) e podem existir limites de visibilidade com a farda.

Como é a prova do concurso da PM?

Costuma incluir Português, Matemática/Raciocínio Lógico, Conhecimentos Gerais e, em muitos casos, Noções de Direito. Alguns concursos exigem redação.

O Teste de Aptidão Física elimina muitos candidatos?

Sim. O TAF é uma das fases mais eliminatórias e normalmente inclui corrida, barra, abdominais e outros exercícios previstos no edital.

O que reprova no exame médico?

Condições clínicas incompatíveis com o serviço, limitações físicas, problemas de visão/audição fora do padrão e documentação médica fora das exigências do edital.

Como funciona o exame psicológico?

Avalia se o candidato tem perfil emocional, cognitivo e comportamental compatível com a atividade policial e com a rotina militar.

O que é a investigação social?

É a etapa que avalia conduta e idoneidade. Omissões, contradições e histórico incompatível com o cargo podem gerar eliminação.

Depois de aprovado no concurso, já começa a trabalhar?

Não imediatamente. Antes, o candidato precisa concluir o curso de formação, que é obrigatório e pode ser eliminatório.

Quanto tempo dura o curso de formação?

Varia por estado e cargo. Para Soldado, pode ir de alguns meses até cerca de um ano; para Oficial, tende a ser mais longo.

O curso de formação é remunerado?

Na maioria dos estados, sim. O valor e as regras de pagamento são definidos no edital.

Como é a rotina durante o curso?

É intensa: disciplina militar, treinamento físico, aulas teóricas e práticas, avaliações frequentes e regras rígidas de conduta.

Como é a rotina de um policial militar formado?

Depende da unidade e escala, mas envolve patrulhamento, atendimento de ocorrências, relatórios, instruções e operações pontuais.

Qual é a escala de trabalho da PM?

Varia conforme estado e unidade. Escalas comuns incluem 12×36 e 24×48, mas a definição é local e pode mudar.

Quanto ganha um policial militar?

Depende do estado, do cargo e dos adicionais. Em geral, o início fica em alguns milhares de reais, e o topo pode passar de R$ 10 mil em alguns estados e graduações.

A carreira permite crescimento?

Sim. Há progressão por tempo, cursos, mérito e vagas, além de possibilidade de especialização em áreas diferentes.

Quais áreas um PM pode atuar?

Radiopatrulha, trânsito, ambiental, rodoviário, tático, operações, inteligência, instrução, administração e logística, entre outras.

Vale a pena entrar na Polícia Militar?

Depende do perfil. É uma carreira estável e com propósito, mas exige disciplina, preparo físico, equilíbrio emocional e responsabilidade constante.

Qual é o maior erro de quem tenta entrar na PM?

Ignorar o edital, deixar o físico para a última hora e subestimar redação, psicológico e investigação social.

Checklist final: se você quer começar agora

  1. Escolha o estado e o cargo (Soldado ou Oficial).
  2. Leia o último edital completo e destaque requisitos e etapas.
  3. Faça um plano semanal com teoria + questões + redação.
  4. Inicie o treino físico com progressão (corrida, força e mobilidade).
  5. Organize documentos e exames que costumam ser exigidos.
  6. Simule o dia da prova e ajuste o ritmo de estudo.

Entrar na PM é possível para quem trata isso como um projeto com método. O concurso mede conhecimento, o TAF mede consistência, a formação mede disciplina — e a carreira cobra maturidade todos os dias.

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