A ROCAM, sigla para Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas, é uma modalidade de policiamento ostensivo que utiliza a motocicleta como principal meio de deslocamento e presença policial. Seu foco é atuar com rapidez, mobilidade e capacidade de acesso em áreas onde a viatura convencional encontra limitações, como corredores de trânsito, ruas estreitas, regiões comerciais densas e locais de grande circulação de pessoas.
No cenário urbano brasileiro, marcado por congestionamentos, crescimento desordenado das cidades e crimes que exploram a agilidade, a motocicleta se tornou uma ferramenta estratégica. A ROCAM não substitui o patrulhamento tradicional, mas amplia o alcance da Polícia Militar, reforçando a prevenção, reduzindo o tempo de resposta e aumentando a percepção de segurança da população.
O que é a ROCAM e qual seu papel no policiamento ostensivo
O motopatrulhamento nasceu da necessidade de adaptação do policiamento às dinâmicas das grandes cidades. A moto permite ao policial chegar primeiro, observar melhor o ambiente e intervir com rapidez em situações que exigem presença imediata. Isso faz da ROCAM uma força essencial em regiões com alto fluxo de veículos, intensa atividade comercial e grande circulação de pedestres.
Além da velocidade, há outro fator relevante: a visibilidade. Equipes de motociclistas circulando constantemente criam um efeito preventivo direto, inibindo crimes oportunistas como roubos, furtos e delitos cometidos por indivíduos que também utilizam motocicletas para fuga rápida.
A atuação da ROCAM costuma ser planejada com base em dados criminais, análise de áreas sensíveis e demandas da comunidade. Não se trata de patrulhar aleatoriamente, mas de ocupar pontos estratégicos, horários críticos e rotas de maior incidência criminal.

Origem e expansão da ROCAM no Brasil
A ROCAM surgiu no estado de São Paulo no início da década de 1980, inicialmente ligada a unidades de choque e policiamento especializado. Com o passar dos anos, os resultados positivos levaram à expansão do modelo para outros estados, cada um adaptando a doutrina à sua realidade local.
Hoje, praticamente todas as Polícias Militares do país possuem algum tipo de motopatrulhamento, mesmo que não utilizem oficialmente a sigla ROCAM. Em alguns estados, a ROCAM é estruturada como companhia ou batalhão especializado. Em outros, funciona como programa operacional dentro de batalhões de área.
Apesar das diferenças organizacionais, a essência permanece a mesma: policiamento ostensivo ágil, técnico e com forte ênfase em prevenção e pronta resposta.
Como ingressar na ROCAM: do concurso à seleção interna
Ingresso na Polícia Militar
O primeiro passo para integrar a ROCAM é ingressar na Polícia Militar do estado desejado. Isso ocorre por meio de concurso público, geralmente para o cargo de Soldado. Os requisitos variam conforme a legislação estadual, mas costumam incluir:
- Nacionalidade brasileira
- Idade mínima e máxima conforme edital
- Ensino Médio completo
- Aptidão física e psicológica
- Ausência de antecedentes incompatíveis com a função
- Carteira Nacional de Habilitação válida
Após aprovação no concurso, o candidato passa pelo curso de formação, onde aprende fundamentos de direito, técnicas policiais, tiro, disciplina militar, educação física e policiamento ostensivo.

Experiência operacional antes da ROCAM
Raramente um policial recém-formado é designado diretamente para a ROCAM. Em regra, é necessário adquirir experiência no policiamento convencional, demonstrando:
- Disciplina e postura profissional
- Capacidade de trabalho em equipe
- Boa comunicação
- Responsabilidade em ocorrências
- Conduta exemplar dentro e fora do serviço
Esse período inicial é fundamental para que o policial desenvolva maturidade operacional, algo indispensável para o motopatrulhamento.
Curso e seleção para o motopatrulhamento
O ingresso efetivo na ROCAM ocorre por meio de seleção interna e curso específico. Esses cursos são exigentes e eliminatórios, combinando preparo físico, técnica de pilotagem e conhecimento operacional.
Entre os conteúdos mais comuns estão:
- Pilotagem policial em baixa e alta velocidade
- Técnicas de frenagem e desvio de obstáculos
- Procedimentos de abordagem com motocicleta
- Progressão e cobertura em dupla
- Legislação aplicada à atividade policial
- Defesa pessoal e controle de suspeitos
- Tiro policial defensivo
- Noções de mecânica e manutenção básica
- Atendimento pré-hospitalar tático
O desempenho durante o curso define quem está apto a integrar a equipe. Não basta saber pilotar bem, é preciso demonstrar controle emocional, tomada de decisão segura e respeito absoluto às normas operacionais.

Rotina da ROCAM no dia a dia
A rotina de um policial da ROCAM varia conforme a região e o tipo de unidade, mas segue uma estrutura relativamente padronizada. O serviço geralmente começa com um briefing, onde são repassadas informações sobre áreas críticas, crimes recentes, veículos suspeitos e prioridades do turno.
Durante o patrulhamento, as equipes atuam em:
- Corredores de trânsito
- Regiões comerciais e bancárias
- Áreas com grande fluxo de pessoas
- Pontos conhecidos por alta incidência criminal
As abordagens fazem parte do cotidiano, sempre seguindo protocolos rígidos para garantir a segurança do policial, do parceiro e do cidadão abordado. A ROCAM atua frequentemente como apoio rápido a outras equipes, sendo a primeira a chegar em diversas ocorrências.
Ao final do turno, há o registro das atividades realizadas e a checagem da motocicleta e dos equipamentos, garantindo que tudo esteja em condições para o próximo serviço.
Regras e padrões operacionais do motopatrulhamento
O uso da motocicleta no policiamento exige disciplina extrema. Pequenos erros podem resultar em acidentes graves, por isso a ROCAM segue padrões operacionais rigorosos, que incluem:
- Formação correta das motos durante o deslocamento
- Distância segura entre os policiais
- Posicionamento estratégico em semáforos e cruzamentos
- Procedimentos definidos para abordagens
- Comunicação clara e objetiva via rádio
- Avaliação constante de risco em perseguições
- Uso obrigatório de equipamentos de proteção
Essas regras não existem para limitar a atuação, mas para preservar vidas e garantir eficiência operacional.

Principais missões desempenhadas pela ROCAM
A ROCAM atua em diversas frentes do policiamento ostensivo, entre elas:
- Patrulhamento preventivo em áreas urbanas
- Repressão imediata a roubos e furtos
- Apoio a operações policiais de grande porte
- Saturação de áreas com alta criminalidade
- Escolta e batedor em situações específicas
- Policiamento em eventos públicos
- Apoio a cercos e bloqueios
Sua versatilidade faz com que seja frequentemente empregada em situações onde rapidez e mobilidade são decisivas.
Motocicletas utilizadas pela ROCAM
Não existe um único modelo padrão de motocicleta para a ROCAM em todo o Brasil. A escolha depende de fatores como orçamento, tipo de terreno, perfil urbano e doutrina da corporação. Ainda assim, algumas marcas aparecem com muita frequência no motopatrulhamento policial brasileiro:
- BMW Motorrad
Muito presente nos últimos anos, especialmente com modelos big trail de média e alta cilindrada. Destaca-se por estabilidade, freios robustos e desempenho em longos deslocamentos urbanos. - Honda
Uma das marcas mais tradicionais no policiamento brasileiro. Amplamente usada por confiabilidade mecânica, facilidade de manutenção e ampla rede de assistência técnica. - Yamaha
Presente em diversos estados, principalmente em modelos de média cilindrada. Costuma ser escolhida pelo bom equilíbrio entre desempenho, custo operacional e robustez. - Suzuki
Utilizada em menor escala, mas presente em algumas corporações, sobretudo em modelos versáteis para uso urbano e rodoviário. - Kawasaki
Aparece pontualmente em algumas polícias militares, geralmente associada a modelos com bom desempenho e aceleração para resposta rápida.

A marca, por si só, não define a eficiência da ROCAM. O que realmente faz diferença é a doutrina de emprego, o treinamento de pilotagem, a manutenção adequada e o padrão operacional da equipe.
Nos últimos anos, muitos estados passaram a adotar motocicletas de maior cilindrada, especialmente do segmento big trail, por apresentarem:
- Maior estabilidade
- Conjunto de freios mais robusto
- Melhor desempenho em longos deslocamentos
- Capacidade de enfrentar diferentes condições de pavimento
Essas motos oferecem mais segurança e conforto ao policial, mas exigem treinamento específico devido ao peso e à potência superiores.
Salários e remuneração para PMs da ROCAM
Na maioria dos estados, não existe um “salário base” exclusivo para a unidade.
O que acontece é o acréscimo de Gratificações de Atividade Especial, Adicionais de Periculosidade ou o recebimento de Diárias Especiais. Em São Paulo, por exemplo, o policial da ROCAM recebe o mesmo base de sua patente, mas frequentemente soma mais horas de DEJEM (diária extra) pela natureza da função.
Abaixo, está uma estimativa do rendimento bruto para um Soldado de 1ª Classe atuando na ROCAM, já somando os benefícios médios:
Valores médios (Base + Gratificações Típicas)
| Estado | Salário Soldado (ROCAM) | Diferenciais Comuns |
|---|---|---|
| São Paulo | ~ R$ 7.200,00 | Base (R$ 6,3 mil) + adicional operacional + médias de DEJEM. |
| Paraná | ~ R$ 6.800,00 | Gratificação de atividade em unidade especializada. |
| Minas Gerais | ~ R$ 5.800,00 | Adicionais de periculosidade e escalas especiais (GEPI). |
| Rio de Janeiro | ~ R$ 6.100,00 | Gratificação de Regime Especial de Trabalho Policial (RETP). |
| Mato Grosso | ~ R$ 7.100,00 | Auxílio fardamento e verbas indenizatórias elevadas. |
| Piauí | ~ R$ 4.800,00 | Adicional por atividade externa e periculosidade. |
O que compõe o salário na ROCAM?
- Adicional de Periculosidade: Devido ao risco elevado do patrulhamento em motocicletas e exposição ao trânsito e combate.
- Gratificação por Especialização: Alguns estados pagam um bônus para quem possui o curso de especialização (cavaleiro de aço).
- Diárias e Horas Extras (DEJEM/ACASP): Como a ROCAM é uma unidade de pronto emprego, há muita oferta de escalas extras remuneradas para eventos e operações especiais.
- Auxílio Fardamento: Geralmente maior ou pago anualmente para manutenção de equipamentos de proteção específicos (botas, luvas e capacetes especiais).
Carreira e perspectivas profissionais
A ROCAM é uma função dentro da carreira policial, não uma carreira separada. O policial continua progredindo normalmente nas graduações e pode permanecer no motopatrulhamento por muitos anos, desde que mantenha bom desempenho e condições físicas.
A experiência adquirida na ROCAM costuma ser valorizada dentro da corporação, abrindo portas para outras unidades especializadas, funções de instrutor e cargos de liderança operacional.
Curiosidades e verdades sobre a ROCAM
- O motopatrulhamento exige mais preparo físico do que parece
- A maior parte do trabalho é preventiva, não perseguição
- Quedas são levadas muito a sério durante o treinamento
- A previsibilidade operacional aumenta a segurança da equipe
- A moto complementa, mas não substitui, a viatura
Como se preparar para integrar a ROCAM
Quem deseja seguir esse caminho deve investir desde cedo em:
- Condicionamento físico constante
- Técnica de pilotagem responsável
- Conhecimento da legislação
- Disciplina e postura profissional
- Boa reputação dentro da unidade
A ROCAM é uma vitrine operacional, mas também uma grande responsabilidade. Exige maturidade, técnica e compromisso com a missão policial.
A ROCAM representa um dos modelos mais eficientes de policiamento urbano no Brasil. Seu sucesso está diretamente ligado à combinação de mobilidade, disciplina, treinamento e inteligência operacional.
Para quem busca uma atuação dinâmica, técnica e de alto impacto preventivo, o motopatrulhamento oferece desafios constantes e grande reconhecimento profissional dentro da Polícia Militar.

