Estudos avançados para equipar o consagrado caça de quarta geração com armas hipersônicas ar-superfície de baixo custo colocam em evidência o futuro das frotas aéreas na América Latina.
A corrida armamentista hipersônica está prestes a transpor as barreiras dos caros bombardeiros estratégicos e caças stealth de quinta geração para alcançar a mais disseminada plataforma de combate aéreo do Ocidente: o F-16 Fighting Falcon.
De acordo com informações técnicas reveladas pelo portal de análise militar Zona Militar e repercutidas pelo Aviacionline, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) está avançando na integração de novos conceitos de mísseis hipersônicos desenvolvidos no programa Blackbeard para emprego sob as asas do Viper.
O projeto Blackbeard foca na criação de uma arma hipersônica ar-solo compacta, propelida por motor scramjet ou foguete de aceleração sólida de alta queima, capaz de superar Mach 5 mantendo custos de fabricação substancialmente inferiores aos mísseis estratégicos convencionais como o ARRW.
O diferencial crucial é a compatibilidade de peso e dimensões com os pilones subalares do F-16, permitindo que aeronaves convencionais executem ataques fulminantes contra sistemas integrados de radar e baterias de mísseis terra-ar antes que qualquer tempo de reação possa ser esboçado pelo oponente.
Esse desenvolvimento tem um impacto direto e imediato para a geopolítica militar sul-americana. A América do Sul conta com operadores experientes do F-16, como a Força Aérea do Chile (FACh), e recentemente viu a Força Aérea Argentina (FAA) fechar a histórica aquisição de caças F-16 MLU provenientes da Dinamarca, com forte apoio político de Washington.
Caso a doutrina de armamentos hipersônicos compactos passe a ser liberada para parceiros e aliados através de vendas militares estrangeiras (FMS), caças operando no Cone Sul poderão passar por saltos de letalidade que mudarão completamente a balança de poder militar na região.
O avanço do míssil Blackbeard serve como um sinal de alerta e estudo para a Força Aérea Brasileira. Com a operação dos caças supersônicos F-39 Gripen em Anápolis, a FAB precisará antecipar requisitos doutrinários e industriais semelhantes em conjunto com a Saab e a Embraer, garantindo que o míssil ar-ar Meteor e futuros mísseis de cruzeiro nacionais mantenham o Brasil na vanguarda da defesa aeroespacial do hemisfério sul.




